Gestão da farmácia

Teto da CMED x inflação: o preço do remédio subiu menos que o IPCA de 4,58%

O reajuste máximo dos remédios até março de 2027 vai de 1,13% a 3,81%, e o IPCA de 12 meses chegou a 4,58%. Veja o que isso faz com a margem da farmácia e o que conferir.

Equipe ContabilfarmaPublicado em 15 de outubro de 20263 min de leitura

Boa parte dos custos de uma farmácia acompanha a inflação geral. O preço do medicamento, não: ele tem teto, fixado pela CMED, a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos. Em 09/10/2026, o IBGE informou que a inflação de 12 meses chegou a 4,58%, acima do maior reajuste permitido para os remédios no período. Essa diferença não pode ir para o preço regulado.

O teto que a farmácia não pode passar

Segundo a Anvisa, farmácias, drogarias, laboratórios, distribuidores e importadores não podem cobrar pelos medicamentos preço acima do permitido pela CMED. Para o varejo, o limite é o Preço Máximo ao Consumidor (PMC). A lista de preços é atualizada todo mês, e o consumidor pode denunciar preço acima do permitido.

A farmácia pode vender abaixo do PMC. Acima, nunca.

Quanto o preço do remédio pôde subir em 2026

Para o período de abril de 2026 a março de 2027, a CMED fixou três tetos de reajuste, conforme a concorrência de cada medicamento:

  • 3,81% para medicamentos com concorrência (nível 1);
  • 2,47% para média concorrência (nível 2);
  • 1,13% para pouca ou nenhuma concorrência (nível 3).

Fitoterápicos, homeopáticos e alguns isentos de prescrição seguem regras específicas. Em nota citada pela Agência Brasil, a Anvisa disse que o reajuste médio permitido ficou em até 2,47%, “o menor dos últimos 20 anos”. Disse também que os aumentos não são automáticos: fabricantes e farmácias podem aplicar reajustes menores ou manter os preços.

Em 2025, segundo a Anvisa, o reajuste médio permitido tinha sido de 3,83%. O teto médio caiu de um ano para o outro.

A inflação passou o teto

O IPCA, índice oficial de inflação, foi de 0,82% em setembro de 2026, segundo o IBGE. No ano, acumula 3,95%; em 12 meses, 4,58%. A energia elétrica residencial subiu 7,98% só em setembro e foi o item que mais pesou no índice do mês.

Na comparação direta com os tetos dos remédios:

  • o maior teto de reajuste (3,81%) ficou 0,77 ponto percentual abaixo da inflação de 12 meses;
  • o reajuste médio permitido (até 2,47%) ficou 2,11 pontos percentuais abaixo.

O que isso faz com a margem

Uma ressalva antes da conclusão: o IPCA mede o consumo das famílias, não o custo de operar uma farmácia. A conta acima compara índices; ela não substitui a planilha da sua loja.

Ainda assim, a leitura de gestão é esta: os custos que andam com a inflação geral sobem mais do que o preço que a farmácia pode cobrar pelos remédios regulados. E o teto não garante o repasse. Como a própria Anvisa lembrou, o reajuste não é automático, e a concorrência decide quanto de fato sobe. Quem tem o mix concentrado em itens de pouca concorrência teve a menor folga, de 1,13%.

Para os medicamentos da lista positiva, o PMC também foi atualizado em 2026 por causa de uma mudança no PIS/Cofins da indústria, que explicamos em outro artigo.

O que fazer

  1. Confira se o sistema da farmácia está com a lista de preços mais recente da CMED, que a Anvisa atualiza todo mês.
  2. Calcule a margem item a item dos medicamentos que mais vendem, com o preço que você pratica e o custo de compra atual.
  3. Identifique quais desses itens são de pouca concorrência, os que tiveram o menor teto de reajuste.
  4. Liste os custos da loja que subiram mais de 3,81% em 12 meses, como aluguel, energia e folha.
  5. Decida o que compensa essa diferença sem tocar no PMC: condição de compra, despesas e mix de vendas.

Com o teto do remédio abaixo da inflação, a margem do medicamento regulado não se recompõe pelo preço; ela depende do custo de compra e das despesas, que é onde o dono ainda tem controle.