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Beleza na farmácia: a categoria que mais cresce tem preço livre e pede gestão própria

Segundo entidades do setor, beleza e dermocosméticos crescem mais que o medicamento e não seguem o preço máximo da CMED. Veja o que isso muda na margem, no estoque e no balcão da sua farmácia.

Equipe ContabilfarmaPublicado em 15 de outubro de 20263 min de leitura

Protetor solar, dermocosmético, maquiagem, cuidado pessoal: a parte da farmácia que não é remédio já pesa no faturamento e, segundo as entidades do setor, cresce mais rápido que o medicamento. Para a farmácia independente, a questão não é virar perfumaria. É tratar essa categoria com regra própria, porque ela funciona diferente do resto da loja, a começar pelo preço.

Quanto a categoria já pesa

Segundo Karen Corridoni, diretora comercial da Febrafar, os não medicamentos representavam cerca de 16% do mix das farmácias em 2016 e chegaram a 37% das vendas, em declaração divulgada pela federação em 15/09/2026. A Febrafar não publicou a metodologia nem a base desse número, então ele serve como retrato do movimento, não como meta para a sua loja.

Os dados da Abradilan vão na mesma direção. Em 2025, entre as associadas da entidade, as vendas de higiene e beleza cresceram 10,8%, contra 7,8% do mercado farmacêutico. Dermocosméticos cresceram 12,8%, contra 8,4% do mercado.

As grandes redes estão investindo pesado

Segundo a Abrafarma, com levantamento da FIA-USP, as 29 redes associadas movimentaram R$ 36,13 bilhões em produtos não medicamentosos entre novembro de 2024 e outubro de 2025.

Uma das maiores redes do país abriu uma loja-conceito de 364 m² com mais de 65% da área dedicada à beleza, e a própria empresa espera um ticket médio de duas a três vezes o de uma farmácia convencional. Na mesma companhia, beleza e cuidados pessoais foram cerca de 24% da receita de varejo em 2025.

A independente não vai disputar área com esse tipo de loja. Ela disputa com atendimento e com o mix certo para o bairro.

Sem preço máximo, o preço é decisão sua

A Lei 10.742/2003 criou a CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos) e a regulação de preços de medicamentos, com o preço máximo ao consumidor que toda farmácia conhece. Cosméticos, perfumaria e produtos de higiene ficam fora dessa regulação de preço.

Na prática, na beleza quem define o preço é a farmácia. A margem pode ser maior que a do medicamento, mas isso não vem garantido: depende de comprar bem, de girar o estoque e de não precisar baixar o preço para desovar o que encalhou. Por isso essa categoria precisa ter a margem acompanhada separada, como explicamos em faturamento não é lucro.

Dermocosmético vende com orientação

A Febrafar cita três frentes no trabalho com as associadas: capacitação das equipes, definição de mix e organização dos produtos na loja. Outra grande rede aposta em treinamento e em testers e estações de demonstração.

O motivo é simples: o cliente de dermocosmético costuma pedir indicação. Sem um balconista preparado para orientar, o produto fica parado na gôndola, e produto parado é capital de giro preso e estoque com risco de vencer.

Produto caro exposto também é perda

A categoria tem um custo que não aparece na nota de compra. Na Pesquisa Abrappe com dados de 2024, a alta de 38,9% nas perdas de farmácias e drogarias foi atribuída a roubo e furto de canetas de emagrecimento, dermocosméticos e outros produtos de alto risco. Ampliar a área de beleza sem pensar em como expor os itens mais caros pode transformar margem em prejuízo.

O que fazer

  1. Separe os números da categoria: venda, margem e estoque de higiene, beleza e dermocosméticos fora da conta do medicamento.
  2. Escolha o mix pelo seu bairro e pelo giro, não pela vitrine das grandes redes. É melhor ter poucas marcas que saem do que muitas paradas.
  3. Defina o preço com critério: sem teto da CMED, compare custo, giro e o preço da concorrência perto de você.
  4. Treine quem atende para orientar o cliente sobre os produtos que a loja tem.
  5. Organize a exposição e proteja os itens de maior valor.
  6. Acompanhe o que não sai e decida o destino antes que vire perda.

Os números das entidades mostram para onde o consumidor está indo. Quanto disso vira lucro na sua farmácia depende de mix, preço e balcão.