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Canetas GLP-1: preço em queda e venda que oscila pedem cuidado com o estoque

As canetas já pesam nas vendas do setor, mas os preços caíram e a receita recuou em agosto de 2026. Veja como comprar pelo giro da sua farmácia sem prender capital de giro.

Equipe ContabilfarmaPublicado em 15 de outubro de 20264 min de leitura

A caneta GLP-1 está entre os itens de ticket mais alto do balcão. Cada caixa parada no estoque prende muito capital de giro. Em 2026, essa categoria cresceu muito, mas também mostrou que o preço e a venda podem mudar de um mês para o outro, e é aí que o estoque vira risco para o caixa.

Quanto a categoria já pesa

Segundo o Itaú BBA, com dados da IQVIA, o mercado formal de GLP-1 chegou a R$ 14,6 bilhões nos 12 meses até abril de 2026, alta de 110% sobre os 12 meses anteriores. A categoria passou a responder por 5,7% das vendas do varejo farmacêutico, contra menos de 3% um ano antes.

Em relatório divulgado em 28/09/2026, com base em dados de dispensação monitorados pela Anvisa, o banco calculou R$ 10,1 bilhões acumulados em 2026 até agosto. São médias do setor, não o resultado de uma farmácia, mas mostram o tamanho do que está em jogo.

A venda não sobe em linha reta

No mesmo relatório, o Itaú BBA registrou cerca de R$ 1,30 bilhão em agosto de 2026, queda de cerca de 8% sobre julho. Segundo o banco, a queda veio depois de um período de alta puxado por vendas em pacote, que levaram pacientes a estocar unidades em casa. O relatório tratou a queda como previsível e projetou crescimento pequeno, de um dígito, no trimestre.

O próprio banco alerta que olhar um mês isolado pode levar a conclusões erradas. Para a farmácia, o recado é outro: quem comprou estoque contando com alta contínua pode ter ficado com caneta parada no mês em que o cliente já tinha unidades em casa.

O preço caiu, e rápido

Em 12/06/2026, a Eli Lilly anunciou redução de até 35% nos preços do Mounjaro. Segundo o Itaú BBA, o combo inicial (2,5 mg + 5 mg) passou de R$ 3.400 para R$ 2.250. Em 15/06/2026, a EMS lançou o Ozivy, similar de semaglutida, a R$ 287 por mês nos três primeiros meses, cerca de 70% abaixo do preço médio de Ozempic e Wegovy, de R$ 900 a R$ 1.000 por mês.

Para o estoque, a conta é direta. Quem compra muitas caixas antes de um corte de preço pode ter de vender por menos o que pagou mais caro. Essa é uma conclusão de gestão a partir dos dados, não algo que o relatório afirme.

Mais caixas, menos dinheiro por caixa

Segundo o Itaú BBA, entre junho e agosto de 2026 os similares da semaglutida geraram R$ 169 milhões de receita a mais, enquanto as marcas perderam R$ 198 milhões. O saldo ficou em cerca de R$ 30 milhões a menos. Ao mesmo tempo, as unidades de semaglutida vendidas cresceram 9,2% de julho para agosto.

Ou seja: a farmácia pode vender mais caixas e faturar menos com a categoria. O relatório também registrou falta do Ozivy e farmácias que relataram estoque insuficiente para a demanda. A falta custa venda, o excesso prende caixa. O banco lembra que a análise tinha só dois meses e meio de dados.

O cliente que começa nem sempre volta

Dados da IQVIA citados pelo Itaú BBA mostram que 50% dos pacientes interrompem o tratamento com GLP-1 nos primeiros três meses. A outra metade fica, em média, 11 meses. O banco estima uma duração média ponderada de sete meses.

Isso muda a previsão de compra. O cliente que leva a primeira caneta pode não voltar no mês seguinte, então a reposição deve seguir quem de fato está voltando, não o número de tratamentos iniciados.

A regra de venda continua valendo

Uma exigência não mudou com o preço. Desde 23/06/2025, segundo a Anvisa, farmácias e drogarias de todo o país devem reter a receita dos medicamentos agonistas GLP-1, como Ozempic, Mounjaro e Wegovy, e a movimentação deve ser lançada no SNGPC, o sistema da Anvisa para escrituração de medicamentos controlados. Vender sem reter a receita expõe a farmácia a infração sanitária, além de exigir tempo e controle da equipe.

O que fazer

  1. Compre pelo giro da sua loja, não pela projeção do mercado: veja quantas caixas saíram por mês nos últimos meses, por produto e por dose.
  2. Separe o estoque de canetas no controle e acompanhe o valor parado nele, à parte do resto da loja.
  3. Evite compras grandes antes de mudanças de preço e pergunte à distribuidora sobre reajustes e lançamentos previstos.
  4. Acompanhe quem volta: cadastre os clientes em tratamento e reponha pela recompra real.
  5. Confira a rotina de receita retida e SNGPC com quem atende no balcão.

A caneta vende bem, mas é cara para ficar parada. O controle do estoque dela pesa no caixa tanto quanto a venda.